20 fevereiro 2010

LEMBRAR, DEIXE-ME LEMBRAR.

Uma pessoa que tem minha idade e que como eu, tem ótima memória, tem coisas e assuntos para dar e vender. Gosto de lembrar de coisas pelas quais passei, pessoas que conheci, lugares onde estive. Pessoas que hoje se tornaram meus anjos da guarda, são reverenciados por mim, sempre. Sempre que posso, fico lembrando de acontecimentos, que tiveram lugar em minha vida, cada vez há mais tempo. Faço isso como exercício de memória. Não quero esquecer. Dos bons e alegres, cada vez que me lembro, me divirto novamente, dos não tão bons, não esqueço, pois se errei em algo, não quero repetir o erro. Mas das coisas de criança, de moleca que sempre fui, essas me lembro com um carinho especial. Nunca fui e minhas irmãs e irmão, podem atestar, uma criança muito malvada. Era muito, bastante levada. Isso sim. Outro dia estava lembrando de quando, ao cair da tarde, depois de jantar, eu e minha fiel companheira e irmã, Cassia a quem chamo de Pê, saíamos para a rua, para apertar campainhas das casas e sair correndo. Que delícia! Era uma curtição do caramba. Uma vez, nossa prima Wanda se uniu à nós e trouxe de sua casa um rolo de fita adesiva, propaganda de sorvete Kibon. Não deu outra. Duas de nós nos escondíamos nas escadas do paredão, que era um muro que separa duas ruas, uma no nível abaixo da outra, com essas escadas para se chegar as ditas ruas. Então, enquanto duas de nós, ficávamos abaixadinhas, escondidas nas escadas, outra colocava o adesivo em uma campainha de modo que ela ficasse apertando e saía correndo para se juntar a nós. De longe, víamos as pessoas abrirem as portas, olharem de um lado, de outro e sempre xingando, batiam a porta. Para nós, quanto mais bravos os moradores ficavam, maior era a diversão. Outra que sempre fazíamos era pedir flores a quem as tivesse em seus jardins dizendo que era para colocar no funeral ou no túmulo de algum parente. Essa era sempre capitaneada pelo meu primo Antenor, ou Tinoco. Ele era craque em chegar às lágrimas quando pedia flores. Mas tínhamos um cuidado. Só falávamos que era para algum parente que realmente já havia falecido mesmo que isso já tivesse acontecido há anos, para não sermos castigados pelos santos de nossa devoção. Depois de muitas flores arrecadadas, chegávamos em casa com enormes buques que dávamos para as mamães com a maior cara de paisagem. Uma coisa que adora era quando meu irmão Leléco, amarrava uma corda bem alto num poste de energia e segurando pela ponta dessa corda, a gente dava impulso e girava no poste até a corda enrolar toda nele e claro, a gente se arrebentar todo também, de cara no poste. Mas era uma delícia. Chorava-se um pouco, mas nada que outra volta no poste, não curasse. E o que falar das vezes que íamos dormir na casa da vovó Lili, nossa avó materna? Ali era um céu. Não víamos a hora da minha mãe ir embora e ficarmos lá com a vovó. Isso porque assim que minha mãe tomava o ônibus para voltar para casa, vovó dava um cigarro para cada neto e deixava que a gente fumasse. Sempre recomendando para que não contássemos nada para minha mãe. É claro que mantínhamos segredo. Que arte. Nessa nem sei quem era a mais arteira, ou nós ou a vovó Lili. Delícia lembrar. Delícia recordar. Delícia viver de novo tudo isso. Ah, só para constar. Os únicos cigarros que fumei, foram mesmo em tempos de criancice. Menos mal. QUALQUER HORA VOLTA COM MAIS LEMBRANÇAS. A D O R O

7 comentários:

Vicentina disse...

Menina arteira, mas que delícia ler sobre sua infância as peraltices.
E que vovó levada vc tinha em, a neta tinha pra quem puxar, mas devia ser muito atualisada que inveja, rsrs a minha era uma fera.
Bjs

Carlos Pires disse...

Havia um anúncio da Kodak que dizia: recordar é viver

Renata disse...

A infância e a melhor fase da vida. Pena que nos dias de hoje as crianças não tem dado conta disso. Estão vivendo uma vida de adultos antecipada ...uma lastima!

Simplesmente Luísa disse...

Que delícia de ler! Imaginei cada detalhe! Me deu saudade da minha infância tb! Hoje em dia é tão diferente né...fiquei imaginando se minha filha vai ter tanta história pra contar que nem a gente!
Beijos!!!!!!!!

Silvana Nunes .'. disse...

BOM DIA.
Desculpe a demora em responder, mas estou com meus filhos e genro aqui em casa desde terça-feira e tenho de entrar na fila para usar o computador (rs). Logo voltarei com mais calma.
Obrigada pela visita.Eles vão embora amanhã cedinho e a minha filha está querendo sentar aqui para digitar uma prova.
Beijo grande.

"Manjares da Manu" disse...

Haaa, dá uma saudade da infância, né!!!!

Bjs... Ótima semana!!!

Gina disse...

Viajei aqui com seu post.
É muito bom recordar e isso só é possível para quem teve uma infância feliz.
Não fui tão arteira, mas guardo algumas na memória.
Já o meu marido vivia brincando na rua com os amigos, que fizeram uma vez uma disputa com um menino que ganhou uma bicicleta linda. Os pequenos despeitados fizeram uma aposta para ver se a bicicleta era forte mesmo. Um menino de um lado com uma bike velha e o dono da bike novinha num duelo partem em velocidade contra o outro. E a torcida de cada lado! Chocam-se, machucam-se e a bicicleta mostra que não resiste à inveja...!
Bom final de domingo!