05 janeiro 2011

DIVAGAÇÕES

Esse tempo que tenho estado mais perto da minha sobrinha, temos conversado sobre muita coisa. Por vezes passamos um tempão sem nada falar, só nos olhando. Está sendo muito lindo.
Ela sempre pede para eu contar causos da família. Das gostosuras que mamãe fazia. Das viagens que fizemos quando pequenas, eu e minha irmã, mãe dela. Assunto é o que não falta. Mas o silêncio também é, para nós, uma forma de conversa.
Outro dia, com minha cucla a nos fazer companhia, a coisa ficou melhor ainda. Elas são muito amigas, sempre foram, e aí a espectadora fui eu. Elas lembraram de tantas situações, pelas quais passaram juntas. Foi muito bonito ver as duas se emocionarem com essas lembranças. Para mim são tão meninas, mas tive que me render à realidade e ouvir suas histórias. Elas tem muitas. Já tem muitas. Incrível. Tão meninas, tão novinhas. Mas é porque para as mães, mesmo as filhas de trinta como a cucla e as sobrinhas de trinta e poucos, serão sempre nossas crianças. Elas até gostam disso.
Mas um fato nos chamou a atenção. Quando era eu quem contava os causos, engraçados ou não, sempre o fazia com uma boa dose de humor. Sempre fui assim. Então a cucla me sai com essa. - Mãe, vocês são em quatro irmãs. Muitas coisas, a maioria delas, viveram juntas, mas tem muita diferença entre as suas narrativas com as das outras tias. Por exemplo, para você, as lembranças sempre são motivos de boas gargalhadas, as mesma situações para a tia Juju, são envoltas em situações de tristeza, desanimo, sem querer voltar ao passado, para tia Cassia, (mãe dessa sobrinha), são novidades pois ela nunca se lembra de nada e para a tia Ni, a mais velha, são fatos que nunca presenciou, pois com pouca idade já trabalhava fora e nunca tinha tempo para passeios. Percebemos que é verdade. As mesma situações, vividas pelas mesmas pessoas, podem trazer lembranças muito diferentes. Ainda bem que para mim, sobram sempre as boas gargalhadas. Adoro isso.

6 comentários:

Néia Lambert disse...

Ah! Welze querida, que coisa mais deliciosa de se ler! imagino vc exatamente assim, a alegria em pessoa!
Beijos

Glorinha L de Lion disse...

Queridona, que causo lindo esse de hj! E isso que a cucla disse é a mais pura verdade. Cada um se lembra de um jeito. Na minha família é assim: eu me lembro com poesia, meu irmão mais velho quase nada se lembra e minha irmã vê sempre o lado sofredor e triste, pois é sempre a vítima...cada um vê ou lembra, de acordo como é por dentro...interessante isso. Daria uma tese de psicolgia. E vc, amorzão, só podia ser a bem humorada, a de bem com a vida. Já te disse pra escrever um livro? hehehe beijão,

Marly disse...

Oi, Welze,
Este post é uma prova de que cada pessoa é um universo em si mesma, e não importa se elas são parentes próximos, o modo de ver as coisas e de senti-las é único, para cada um. Mas é uma bênção que você veja as coisas com "bons olhos", isso faz bem para a alma, rsrs.

Um beijo.

Isadora disse...

Welze que interessante a percepção de como cada um vê ou lembra de fatos ocorridos. A minha mãe não se lembra de muitas coisas que eu lembro. Vai entender.
Um beijinho

Nilce disse...

Somos todos diferentes na maneira de lembrar das coisas, Welze.
Sou como você. Quando nos reunimos e lembramos de fatos do passado, todos dizem: a Nilce é que sabe contar direitinho.
Na verdade é porque os encho de gargalhadas. E isso é muito bom.
Fiquei imaginando nós duas juntas. rsrsrs

Bjs no coração!

Nilce

Beta disse...

Oi Welze! Feliz 2011!
E vc passa essa alegria para seus posts é ótimo vir aqui ler suas histórias! bjs