27 outubro 2010

NOSSA CASA NA ÁRVORE




Quando era pequena, aqui mesmo na cidade de Sorocaba, morávamos numa casa enorme, no bairro Vila Amélia. Era a casa mais linda que já vi na vida. Muitos cômodos, todos espaçosos, jardim, onde minha mãe cultivava além de violetas nos canteiros, no chão mesmo, tinha a rosa preferida dela que chamávamos de Gigante. Floria uma vez por ano, mas a rosa de nascia ali era verdadeiramente gigante. Linda. Cheirosa, cor de rosa, durava quase um mês, resistindo à chuva e vento. Tinha um caramanchão de glicínias que quando estava florido, papai nem colocava o carro embaixo dele para que seus cachos não desfolhassem. No quintal, além do barracão muito grande onde papai tinha todo tipo de ferramenta que existia e mais aquelas que ele próprio desenhava e fazia para seus trabalhos, tinha um galinheiro com muitas aves, patos, galinhas, marrecos, peru. Isso tudo bem pertinho do centro da cidade. Mas o que me dá mais saudade é da casa da árvore que papai nos fez. Para Cassia e para mim. No nosso quintal tinha uma variedade grande de árvores frutíferas como ameixeira, goiabeira, macieira, pereira, cerejeira, pé de café, mamão, lima da Pérsia, lima "imbiguda", limoeiros, pitangueira e pessegueiro. Era realmente um pomar maravilhoso. Mas papai não escolheu uma árvore qualquer para construir nossa casa. Claro que não. Afinal de contas era o papai não é mesmo? Ele elegeu a pereira como a árvore que abrigaria nossas brincadeiras. Para quem não conhece, a pereira é uma árvore que tem seus galhos voltados para cima e não para os lados como a maioria das árvores. Minha mãe pediu que ele desistisse da ideia de fazer ali nossa casinha, mas qual o que. Papai disse que em outra árvore qualquer um faria, ele queria o desafio. E nessa luta saudável, entre os galhos da pereira e ele, o vencedor foi ele, claro. Sem praticamente cortar nenhum galho, foi com muita paciência construindo nossa casa. Não tinha cobertura mas era espaçosa o bastante para abrigar nossas bonecas, ursos de pelúcia, comidinhas, vasilhinhas e um ótimo lugar quando queríamos nos esconder da mamãe para comer uma fruta verde com sal. De lá de cima víamos mamãe na porta da cozinha nos procurando, fingindo não saber onde estávamos. Nós duas no nosso reino encantado. Que bom lembrar. Lembrar não, porque nunca esqueci, só reavivei a memória. As fotos são da minha pitangueira. Nasceu aqui em casa numa nesga de terra no quintal todo cimentado. É meu orgulho.

18 comentários:

Nilda Biagio disse...

Olá Welze
Como é bom recordar!!Eu também passei minha infância em meio às arvores de um lindo pomar...era uma chácara que pertencia ao meu avô e nós morávamos lá.Tempinho bom...subindo em àrvores para pegar frutas verdes e comer com sal...Hoje vc me fez vizjar no tempo...obrigada!!
Bj
Nilda

Deia disse...

Welze!! Cada vez que você lembra uma história sua de infância leva-me contigo nessa nave mágica que é sua memória! Fruta verde com sal? Que delícia!! Se você me permite, sugiro um livro que tem essa estripulia em uma de suas passagens, é de leitura fácil e ligeira e tenho certeza que colocará um sorriso em seus lábios: chama-se "Os da minha rua" de Ondjaki. Um beijo, minha morena linda!! Deia

Maria Célia disse...

Bom dia, Welze
Também tenho estas lembranças de árvores, esconderijos, fruta verde com sal. Só não tive casa na árvore. Mais no quintal da minha casa, morava numa fazenda, havia um enorme bambuzal e mais ao fundo um ribeirão. Era lá que brincávamos de casinha, comidinha, pique- esconde. Quanta saudade, não, Welze.
Pura nostalgia. Muito bacana.
Beijo.

Blog da Chris disse...

Que lindo!!!! Que lindas recordações. Me lembra muito as recordações que minha mãe tem da infância dela. A avó dela tinha gansos, patos, galinhas, etc... Quando ela e minhas tias voltavam da escola ensinavam tudo o que tinham aprendido para as aves... rsrsrs e até hoje nenhuma delas come aves, porque não poderiam comer as alunas, não é mesmo? rsrsrsrsrssrsrsrsr Obrigada por compartilhar estas lembranças tão lindas e cjeias de ternura!!!

BJs

ELIANA-Coisas Boas da Vida disse...

EITA QUE BELO TEXTO ADORO HISTÓRIAS ASSIM CHEIAS DE AMOR ENTRE PAI E FILHAS TÃO QUERIDAS!
BEIJO

Marly disse...

Welze,

Que delícias de lembranças! Mas, quer saber? acho que você sempre terá coisas boas para recordar! rsrs.

Um beijo!

Tatiana disse...

Ai que delícia! Que criança não sonhou (ou sonha) em ter uma casa na árvore! Deve mesmo ter deixado saudade! Essa sua pitangueira é linda! Dá vontade de sentar ali na cadeira branca e ficar vendo o tempo passar!
Bjs

Néia (Dulci) disse...

Welze querida, quem na infância não teve um cantinho assim, mesmo que não fosse numa árvore, não viveu as delícias imaginárias de uma criança.
Seu pai foi um mestre, ajudando a construir aquilo que seria o seu reino, onde a criatividade cresceu solta e alegremente.
A-do-rei!
Beijos.

Glorinha L de Lion disse...

Welze, minha queridona, vc com suas estórias nos transporta a um mundo mágico sabia? Eu fui criança de apartamento, brincava na rua, mas nunca tive frutíferas, quintal, a não ser um sapotizeiro do vizinho...mas amo suas estórias e já te falei que vc devia escrevê-las num livro, pois são deliciosas. Espero que esteja tudo melhor por aí. Beijo grande.

Leci Irene disse...

Welze, é lindo ter estas lembranças... Nós nunca tivemos uma casa na árvore, mas tínhamos uma árvore onde a gente subia e se atirava na grama... hehehe... alguém sempre saia ferido, machucado, nada que um beijo de mãe não curava!!!!!!!!

angela disse...

é amiga, quantas memórias, lá no meu Tatui, tambem tive disto, muito disto tudo. bjs

Chocolate na Cozinha disse...

Oi Welze, que história linda!!
Me fez voltar a minha infância...
Bjos,
Verônica

Nilce disse...

Welze, que deliciosas lembranças.
Sabe que me vi em sua infância. A diferença é que éramos 4 e apenas eu de menina.
Mas as brincadeiras eram deliciosas.
Também morei em uma casa bem grande e com quintal enorme, com flores, horta e noutra divisão muitas aves também.
Que saudades.

Bjs no coração!

Nilce

Nane Cabral disse...

Olá Welze! Fiquei doida com esse posts abaixo. Amo batatas!! bjo, Nane www.vovoqueensinou.blogspot.com

orvalho do ceu disse...

Olá, Welze querida
Nunca brinquei numa casa na árvore, deve ser muito legal...
Um verdadeiro reino encantado de amor... Lindo seu post!!!
Venho porpor-lhe algo no meu post de hoje...
Conto com sua participação amiga.
Excelente semana,cheia de ricas bênçãos!!!
Abraços fraternos

Fla disse...

Welze, sabe que eu acho que em Sorocaba ainda tem muitas casas assim, cheia de árvores no quintal...
Delícia ler seu relato, afinal toda criança sempre sonhou em ter uma casa na árvore né?
Beijos

João Lenjob disse...

No meu blog, http://lenjob.blogspot.com, tem os cinco poemas diarios, mas peço que dê uma passadinha no Castelo do Poeta, http://castelodopoeta.blogspot.com, que bombou com a nossa cultura esta semana. Aguardo.

João Lenjob.

Borboleta
João Lenjob

Laço e serpentina
E embrulha num presente
Borboleta
Crença tão divina
Mil confetes e pirueta
Borboleta
Aquela lágrima vem aqui brilhar
Trazendo o amor o deixando livre voar.

Trapezista pra retina
Sonho de bailarina
Borboleta
Artista todavia
Movimento sorridente
Borboleta
Dá pro mundo aquele dom pra acreditar
Trazendo o amor o deixando livre voar.

Linda lá no bosque
Brinca na floresta
Borboleta
É na cachoeira
Ou talvez até pousada
Borboleta
Faz aquele encanto de brotar assim no ar
Trazendo o amor o deixando livre voar.

Colorindo o céu
Chega cintilando
Borboleta
Colore toda a vida
Suas pétalas são rosas
Borboleta
Mágica pra vida e alegria pro olhar
Trazendo o amor o deixando livre voar.

Vicentina disse...

Welze, vc me fez lembrar da minha infância, eu tbm vivia em cima de árvores, o quintal da nossa casa era enorme, tinha muitas árvores frutíferas e era lá que eu brincava... ah! que saudades...
Gostei da sua pitangueira.
Bjs