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17 maio 2010

AS CORES - BRANCO




Uma das coisas que mais incríveis que conheço é quando alguém se esquece de algo e diz que DEU BRANCO. Isso seria certo se o branco fosse sinonimo de vazio, oco, nada. Mas para mim, não é. Branco é PAZ, QUIETUDE, SILÊNCIO, GRANDEZA, INFINITO. Mas nunca, NADA. Tirei uma foto de uma foto que foi tirada há muitos anos atrás, numa das mais lindas paisagens que já tive oportunidade de ver de pertinho. De estar nela. É um campo de algodão em Goiás. Na cidade de Parauna, para ser mais exata. A terra vermelha contrastando com o branco do algodão, me é inesquecível. Não ficou muito boa essa foto de foto, mas não queria perder a oportunidade de compartilhar essa visão com vocês.




A rosa branca, linda demais da conta, tirei da 4.bp.blogspot. Espero que soltem a imaginação e consigam sentir o perfume que dela está exalando. Eu consigo. É delicioso. Ofereço essa rosa para todos que por aqui passarem.

13 maio 2010

FEDERICO GARCÍA LORCA


Romance Sonámbulo

Verde que te quiero verde.
Verde viento. Verdes ramas.
El barco sobre la mar
y el caballo en la montaña.
Con la sombra en la cintura
ella sueña en su baranda,
verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Verde que te quiero verde.
Bajo la luna gitana,
las cosas la están mirando
y ella no puede mirarlas.

Verde que te quiero verde.
Grandes estrellas de escarcha,
vienen con el pez de sombra
que abre el camino del alba.
La higuera frota su viento
con la lija de sus ramas,
y el monte, gato garduño,
eriza sus pitas agrias.
¿Pero quién vendrá? ¿Y por dónde?
Ella sigue en su baranda,
verde carne, pelo verde,
soñando en la mar amarga.

--Compadre, quiero cambiar
mi caballo por su casa,
mi montura por su espejo,
mi cuchillo por su manta.
Compadre, vengo sangrando,
desde los puertos de Cabra.
--Si yo pudiera, mocito,
este trato se cerraba.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.
--Compadre, quiero morir,
decentemente en mi cama.
De acero, si puede ser,
con las sábanas de holanda.
¿No ves la herida que tengo
desde el pecho a la garganta?
--Trescientas rosas morenas
lleva tu pechera blanca.
Tu sangre rezuma y huele
alrededor de tu faja.
Pero yo ya no soy yo,
ni mi casa es ya mi casa.
--Dejadme subir al menos
hasta las altas barandas,
¡dejadme subir!, dejadme
hasta las verdes barandas.
Barandales de la luna
por donde retumba el agua.

Ya suben los dos compadres
hacia las altas barandas.
Dejando un rastro de sangre.
Dejando un rastro de lágrimas.
Temblaban en los tejados
farolillos de hojalata.
Mil panderos de cristal
herían la madrugada.

Verde que te quiero verde,
verde viento, verdes ramas.
Los dos compadres subieron.
El largo viento dejaba
en la boca un raro gusto
de hiel, de menta y de albahaca.
--¡Compadre! ¿Dónde está, dime?
¿Dónde está tu niña amarga?
¡Cuántas veces te esperó!
¡Cuántas veces te esperara,
cara fresca, negro pelo,
en esta verde baranda!

Sobre el rostro del aljibe
se mecía la gitana.
Verde carne, pelo verde,
con ojos de fría plata.
Un carámbano de luna
la sostiene sobre el agua.
La noche se puso íntima
como una pequeña plaza.
Guardias civiles borrachos
en la puerta golpeaban.
Verde que te quiero verde,
verde viento, verdes ramas.
El barco sobre la mar.
Y el caballo en la montaña.


Nunca consegui decorar esses versos, mas os amo de paixão. Minha contribuição à semana do VERDE
foto de pedraselua

19 abril 2010

Mais vermelho


CRAVO VERMELHO

(a ti, Isabel!)


Aquele cravo vermelho, lindo, que regavas
Na varanda, que era o teu jardim,
Flor, como as demais, de que gostavas,
Pareceu aperceber-se do teu fim!


Esgotou em lágrimas a água que lhe davas;
Tanto chorou que ficou seco e caiu.
Sentiu que eras tu que lhe faltavas:
- A tal flor companheira que partiu!...


E as orquídeas, que tanto admiravas,
Não sentem o olhar como as olhavas:
De folhas tristes, esvoaçam com o vento.

Como o cravo vermelho, comovidas,
Pela tua falta, estão envelhecidas
Num gélido Inverno antes do tempo!...


Fernando Reis Costa - Setembro de 2002

minha paixão pelo vermelho

Moto CB do genro. Linda demais da conta.


Flor da casa dos sogros da cucla. Tem de toda cor, mas as vermelhas são especiais.

Sempre gostei do vermelho. Sapatos, bolsas, roupas e muitas coisinhas para casa.
Pensando bem, acho que de tudo na minha vida, já tive na versão vermelha.
Houve uma época, quando estava no climatério e a perda de sangue já extrapolava o normal de uma menstruação, acabei por ficar anemica. Entre os vários tratamentos, como alimentação, medicamentos, uma boa dose diária de caldo de cana e rapadura mineira, teve seu lugar a cromoterapia. Coisa caseira, sem especialistas no assuntos. Mais mesmo, coisa de instinto. Passei a usar mais acentuadamente roupas vermelhas. Numa ida ao shopping com as manas, paramos para um lanhe, quando minha irmã Pe, sugeriu que ficássemos sentadas embaixo de uma cobertura plástica VERMELHA, da lanchonete. Isso entre três e quatro horas da tarde de um mês de fevereiro. Imaginem o calor que estava alí. Nós três começamos a suar por todos os poros. Quem estava em volta e via tantas mesas vazias na sombra, não entendia o que três loucas estava fazendo naquela mesa que pegava o sol em cheio através de uma cobertura plástica vermelha. Falei várias vezes para trocarmos de lugar, que quem estava precisando do VERMELHO era eu e que elas não precisavam se sacrificar tanto, mas qual o que. Não arredamos o pé de lá até se fazer noite. Entre risos, papos furados conversas fúteis e sérias, acabamos por ficar ali por muitas horas. Embaixo de uma cobertura vermelha.
O vermelho sempre me faz lembrar ou melhor pensar na Juju, uma das irmãs que participou do lanche no vermelho. Sempre foi sua cor predileta. Mamãe dizia que desde muito pequenina, sua escolha por essa cor, era nada latente. Antes mesmo de saber falar, já escolhia tudo MEMERRO.
Quando recebi o selinho das amigas que fica na coluna à direita no meu blog, foi fácil ver que ali estavam minhas irmãs, a cucla e eu. A Cassia ou Pe, de verde, a Nini, de amarelo, por ser a cor de seu vestido de noiva, quando só se usava branco. Chocando de maneira agradável muita gente. Eu, de xadrez. Adoro. A cucla, sempre com flores. E sem dúvida, de VERMELHo, Juju. Não poderia ser diferente.
A cor da paixão. Do amor. Do calor. Adoro.
FELIZ SEMANA DO VERMELHO PARA MINHAS QUERIDAS
PAIXÃO PARA QUEM É DE PAIXÃO.
AMOR PARA QUEM É DE AMOR.
CALOR PARA TODAS NÓS.


um pouco de Fernando Pessoa

Deram-me um cravo vermelho
Para eu ver como é a vida.
Mas esqueci-me do cravo
Pela hora da saída.

12 abril 2010

TUDO AZUL

imagem de mateuscalazans


Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se enlaçou mas não voou...
Momentos de alma que, desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Mário de Sá Carneiro

05 abril 2010

GANHEI UM PRESENTE


E era rosa! Não poderia deixar de mandar essa foto. Essa almofada FOFA E ROSA, foi um presente que ganhei de uma querida amiga. Não nos conhecemos pessoalmente. Não sei como é sua voz. Mas sei que é um doce. Linda. Uma querida. Uma linda e constante presença no meu bloguinho. É uma amiga. Daquelas que não se acha em qualquer lugar. Daquelas que nem se procura por pensar não existir. Daquelas que entram em nossa vida não pela porta da frente, mas por todos os lados. Entra, se ajeita e fica. Nunca pede licença para falar, pois é dela sempre a palavra. Nunca está ocupada para nos atender porque sempre está ocupada nos atendendo. Nunca diz não se não for o mais correto. Nunca diz sim, se não for o melhor. Para você, minha amada, desejo dias cor de rosa. Vida cor de rosa. Sonhos cor de rosa. Uma realidade não menos rosa.

A VIDA PODE SER ROSA


As Duas Rosas

Castro Alves

I
São duas rosas unidas, São duas flores nascidas Talvez no mesmo arrebol. Vivendo no mesmo galho, Da mesma gota de orvalho, Do mesmo raio de sol.

II
Vivendo... bem como as penas Das duas asas pequenas De um passarinho no céu. Como um casal de rolinhas como a tribo de andorinhas Da tarde no frouxo véu.



III
Vivendo, bem como os prantos Que em parelhas descem tantos Das profundezas do olhar. Como o suspiro e o desgosto, Como as covinhas do rosto, Como as estrelas do mar.

IV
Vivendo... ai, quem pudera, Numa eterna primavera, Viver qual vive esta flor. Juntar as rosas da vida Na rama verde e florida, Na verde rama do amor.
Essa foto da rosa, eu tirei em minha recente viagem solo à Serra Negra. Essa rosa ficava bem no meio do caminho entre o chalé que fiquei hospedada e a piscina. Quando cheguei lá era apenas um botão. Todos os dias, quando passava por ali, "conversava" um bocadinho com aquela flor. Numa noite que ameaçava um temporal danado e a flor estava já quase que totalmente aberta, pensei em tirar-lhe do pé, para assim evitar que se fosse desfolhada pela chuva. Mas pensei melhor e achei que não deveria intervir com a natureza. A chuva veio e bem forte. No dia seguinte, ao passar por perto da roseira, tive uma grata surpresa. A flor, essa linda rosa, estava lá, sorrindo e me desejando bom dia, com o tinha feito nos dias anteriores. Ela com a sabedoria da natureza, tinha burlado a força da chuva e estava em seu total esplendor. Mais uma homenagem ao dia rosa.

30 março 2010

É ROSA! É ROSA! É ROSA!


Já sabemos a cor que será reverenciada na próxima segunda-feira.


ROSA

DE TODOS OS TONS E MATIZES
E O MUNDO SE FARÁ ROSA.


Se você não está brincando de cor, ainda é tempo.
Façamos amigos coloridos.
Sejamos amigos coloridos.
Amigo já é bom.
Colorido então, não tem pra ninguém.
PS. Glorinha, eu sei que é só segunda-feira, mas não resisti.

29 março 2010

GANHEI UM GIRASSOL

Logo depois de casados, quando o bonitão trabalhava como cadastrista de uma revenda de caminhões e implementos agrícolas, ele visitava muitos sítios, fazendas com suas plantações e pastos. Numa dessas visitas, ao entrar na fazenda ele percebeu que sua entrada era enfeitada por canteiros de girassóis. Sabendo que eu era apreciadora dessa flor, pediu para o proprietário das terras, uma das inúmeras flores adornavam sua fazenda. O senhor das terras disse que podia sem dúvida alguma pegar as flores e entendia meu interesse por elas, pois sua esposa também adorava girassóis. Depois de devidamente autorizado, o bonitão, na saída da fazenda após concluir seu serviço, tratou de pegar ou melhor, tentar pegar uma flor para mim. Mas não conseguia de maneira nenhuma separar a danada da flor de seu pé. Como não tinha faca ou canivete, puxava e puxava a flor, mas nada dela querer deixar seu lugar. Então, não achando outra alternativa, resolveu de outro modo. Ao chegar em casa aos risos, me disse ter uma surpresa no carro para mim e que fosse rápido até ele. Realmente foi uma surpresa e tanto. Ao chegar no carro, vi um lindo PÉ DE GIRASSOL, de mais ou menos dois metros de altura, com uma lindíssima flor me sorrindo com raiz e tudo. Ficamos por muito tempo com aquela planta em nossa casa, plantada em um vaso nada condizente com seu tamanho. Mas eu dava tanto carinho e conversava tanto com as folhas e flor que demorou um tempo incrível, fora do normal para que murchassem. É claro que guardei as pétalas em meu livro de cabeceira e as sementes, viraram um colarsinho. Depois desse, já ganhei do bonitão outras flores e outros girassóis, mas aquele é inesquecível.

O meu girassol

Sempre tive paixão por girassol. Meu grupo de estudos em Nutrição tinha essa flor como símbolo.
Sei que na Ásia, terapeutas de uma linha de tratamentos para o corpo, levam para a casa dos pacientes que estão precisando de ajuda para a cura de algum mal, simplesmente fotos dessa flor e as colocam no lugar mais sombrio ou escuro da casa. Aquele lugar com rachadura ou trinca na parede ou onde tem alguma umidade. A finalidade é que a simples presença do girassol, traga àquela casa, luz, alegria, esperança. Já é um começo para a cura.
A semente do girassol em chá é uma maravilha para acabar com enxaquecas.
A folha do girassol, também em chá, alivia por demais os sintomas tão incomodos de uma gripe e febre.
Para acabar com câimbras, sugiro usar aquela sementinha que fica dentro da semente do girassol, também em chá. É tiro e queda.
Torradas, as sementes do girassol, acabam com o estresse e é um baita fortificante. É só torrar e moer as sementes e usar como se fosse café.
Então assim, vemos que além de linda, alegre, mensageira de muita luz, a bonita flor GIRASSOL, tem tudo para ser olhada com bons olhos e acolhida no coração. Adoro tudo isso.

SEMANA DO AMARELO

O Girassol e a Borboleta (Conto)

Num imenso campo de girassóis, onde todos pareciam iguais, existia um que se destacava de todos os demais. Ele tinha o mesmo tamanho, a mesma forma, as raízes fincadas no mesmo solo, mas o perfume que exalava era diferente, tinha cheiro de vida, esperança e renovação.
Mesmo nos dias mais sombrios podia sentir a presença do Sol, estava sempre com os olhos voltados para o céu e na ausência da Luz, enquanto todos os outros, cabisbaixos, levavam a vida com pesar, ele altivo e confiante buscava horizontes distantes. A verdadeira luz estava em seu interior, essa certeza o fazia brilhar com intensidade. Ele simplesmente sabia que fazia parte de algo muito maior.
Foi assim, olhando para o céu, que pôde vislumbrar e descobrir um novo mundo, mesmo sem nunca ter saído do lugar.
Era um dia de poucas cores, o Sol decidiu que não apareceria, mas o Girassol que olhava para o alto, ignorando a escuridão, percebeu a presença de algo que nunca vira antes. Seus olhos acompanhavam, atentos, aquele bailado tênue e delicado que coloria a paisagem. Ele estava encantado...
Uma linda borboleta que voava pelo espaço ao sabor do vento, rodopiava leve e pintava a paisagem com as sete cores do arco-íris, aos poucos tudo foi ficando mais iluminado. A felicidade do Girassol era tanta que ele começou a exalar o mais doce dos perfumes. Não demorou muito e a Borboleta bailarina foi preenchida por uma forte presença e a mesma felicidade tomou conta dela, também.
Sim, eles se reconheceram, não entenderam, mas sentiram. Eram almas companheiras cheias de saudade. Viveram aquele momento com intensidade e silêncio. Algo sagrado, secreto e inocente renascia em suas vidas. Sabiam que faziam parte, um do outro.
A Borboleta deixou-se guiar pelo doce perfume do Girassol e foi ao seu encontro, indo pousar sobre suas delicadas pétalas. Era a primeira vez que a fragilidade se unia à força formando a mais bela das composições, enquanto o vento soprava a canção da vitória.
Abrigada e protegida no seio do tão sonhado Girassol, contou a ele que para merecer o seu amor, teve que passar por duras transformações. De “ser” rastejante passou a “ser” alado, podendo, então cruzar os céus em busca do “ser” amado.
O Girassol e a Borboleta eram a mais perfeita união do Céu com a Terra, uma ode ao Amor puro, livre e verdadeiro.
Quando o dia estava sombrio, bastava o Girassol olhar para o alto que lá estava a personificação da certeza que sempre teve dentro de si, o ser amado cheio de histórias para contar sobre um mundo que é novo a cada dia que nasce, cheio de surpresa, beleza e deleite.
Desde esse mágico reencontro, a Borboleta passou a ser as asas do Girassol e ele, o seu abrigo maior, o impulso e o sopro impelindo-a a voar cada vez mais alto para descobrir o que ele sempre soube sem sair do lugar : que a maior de todas as viagens é a capacidade que temos de deixar a nossa alma simplesmente fluir em busca do seu propósito.
Juliana Gallicchio Valerio

Desde que li esse conto, dele nunca mais me esqueci.
Para compartilhar com quem gosto.