Mamãe era uma eximia carnavalesca.
Bem humorada por natureza.
De bem com a vida por opção.
Era uma mulher que contava no calendário os dias, para a chegada de seu tão querido carnaval.
Em sua mocidade foi morar em Salvador, a "casa do carnaval", e de lá, trouxe as lembranças de seus melhores carnavais, que sempre nos contava em forma de história.
Contava seus carnavais em forma de verso e prosa, contava de só voltava para a casa de noitinha, para que o Vô e a Vó á deixassem ir no dia seguinte novamente.
Dizia-nos sempre que era um carnaval mais democrático, ficava "p" da vida em ver que, nas ruas que por muitas noites desfilou, hoje se cobra os olhos da cara pelos abadas.
Em sua época, não tinha nada disso.
O povo se juntava e ia cantando "Atras do trio elétrico só não vai quem já morreu...."
Mas, mesmo depois que voltou para Sorocaba, continuou amando o carnaval.
Nunca teve interesse ou oportunidade de ir até São Paulo ou Rio de Janeiro para ver o desfile de pertinho.
O que para ela não era problema algum. Quantas vezes cheguei dos bailes e lá estava ela, com uma cervejinha e sua pizza preferida, sacolejando no sofá e acompanhando pela telinha os desfiles.
Antigamente, e agora voltou, tinha desfile nas avenidas principais de Sorocaba, e lá íamos nós.
Com o tempo e por um tempo deixou de haver, mas mesmo assim, os foliões arrumaram outras formas, criaram os blocos, Boca a Boca, Depois a Gente se Vira, Bloco do Cocó.
E olha que os blocos daqui são mara.
Começamos a frequentar, íamos para a concentração....já pulando, dançando...nós sempre com roupas customizadas já esperando a partida do trio. De um tempo para cá, sempre compravamos as camisetas e customizávamos para ficar com a cara do carnaval.
Era uma euforia, descíamos a avenida nos esbaldando...era uma alegria que só.
Aos poucos nossos amigos, e familiares começaram a juntar-se a nós, e lá ia a turma toda, fazendo revesamento para levar o cooler com as bebidinhas.
Nesses blocos sempre tinha uma ala de pessoas muito especiais, e sempre que podíamos ficavamos cuidando, nos sentíamos importantes, e o Bonitão, ia chorando de emoção.
Muitos foram nossos carnavais, muitas fantasias, muitas massagens nos pés....
Com a Gostosura vivi os carnavais mais lindos de minha vida.
Nesse ano, senti falta de minha foliã preferida, então me reservei, e fiquei curtindo em minha memória, todas as emoções que juntas o carnaval nos proporcionou.
Mas, no ano que vem, vou me esbaldar.
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